
Derrotado na disputa pela Presidência da Assembleia Legislativa, o deputado Othelino Neto (PSB) resolveu transformar frustração política em manobra autoritária. Em um movimento que beira o escárnio institucional, seis deputados estaduais do PSB foram expulsos por meio de uma simples resolução partidária publicada nesta sexta-feira, todos aliados do governador Carlos Brandão.
O detalhe que dá contornos ainda mais constrangedores ao episódio é que a resolução foi assinada pela senadora Ana Paula Lobato, presidente estadual do PSB e esposa de Othelino. Um arranjo familiar que transforma o partido em instrumento doméstico de retaliação política.
Foram alvos da canetada Adelmo Soares, Andreia Rezende, Antônio Pereira, Daniella, Davi Brandão e Florêncio Neto. Foram afastados sem qualquer processo administrativo, sem direito à ampla defesa e ao contraditório, em flagrante violação às regras mais elementares do Estado Democrático de Direito.
O gesto não é isolado nem inocente. Trata-se de uma manobra escancarada para tentar retomar, pela força, o controle político da Alema, após a derrota nas urnas internas. Ao expulsar deputados da base governista, Othelino busca forjar artificialmente um bloco parlamentar maior, garantindo duas vagas estratégicas nas comissões permanentes, além de tentar impor, “na marra”, uma liderança que não conquistou no voto.
O movimento fica ainda mais evidente quando se observa que, da base aliada ao governo dentro do PSB, restou apenas a deputada Iracema Vale, justamente a atual presidente da Casa. Como Iracema não pode ser expulsa, a não ser por decisão própria durante a janela partidária, em abril, Othelino tenta criar uma situação artificial: quer ser líder de Iracema sem ter bancada, sem legitimidade e sem respaldo político.
É a política do atalho, do tapetão, do vale-tudo. Uma prática que apequena o Parlamento e expõe o uso instrumental dos partidos como meras ferramentas de coerção política, ignorando regras internas, estatutos e princípios constitucionais.



