Instituto que aponta liderança de Braide no MA apaga relatórios após investigação por ‘esquema organizado’ de pesquisas fraudulentas no Rio Grande do Norte

O Instituto Veritá, que enfrentou a suspensão de suas pesquisas em mais de 18 estados, removeu todos os relatórios de estudos realizados neste ano do seu site. Curiosamente, essa medida ocorreu após o Ministério Público Eleitoral (MPE) identificar indícios de um ‘esquema organizado’ para produzir e divulgar pesquisas fraudulentas no país.

De acordo com as informações, um dos casos identificados aconteceu no Rio Grande do Norte, onde as pesquisas colocaram Álvaro Dias (PL) como líder na corrida para o Governo do estado. A conclusão consta em parecer juntado a um processo que tramita no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN). Assinado pelo procurador eleitoral auxiliar Kleber Martins de Araújo, o documento sustenta que as irregularidades não estariam restritas a uma pesquisa.

Ao analisar levantamentos registrados entre abril e julho, o MPE afirma ter identificado a repetição de problemas metodológicos, a participação recorrente dos mesmos profissionais e possíveis conexões entre institutos e empresas contratantes. O MPE destaca que foram registradas 26 pesquisas sobre a disputa pelo Governo do Estado entre 3 de abril e 13 de julho. Desse total, 19 apontaram Allyson na liderança e 7 colocaram Álvaro à frente. O parecer indica que todas as sete pesquisas favoráveis ao candidato do PL apresentavam irregularidades documentadas, mencionando o Veritá como um dos institutos envolvidos no esquema.

O blog do Thales Castro apurou que o Ministério Público destacou, entre os elementos comuns, problemas relacionados à distribuição dos entrevistados por renda, inconsistência que motivaram uma avalanche de ações contra a empresa também no Maranhão.

Investigação criminal

Paralelamente, o procurador encaminhou uma notícia-crime para apuração na esfera penal, apontando, em tese, os crimes de divulgação de pesquisa fraudulenta, embaraço à fiscalização e falsidade ideológica eleitoral. As duas primeiras infrações podem resultar em detenção de seis meses a um ano e multa; a falsidade ideológica eleitoral pode levar à reclusão de até cinco anos quando praticada em documento público.

Relatórios apagados

Ao acessar o site da Veritá, descobrimos que todos os relatórios de pesquisas realizados pela empresa no país foram apagados. Na página destinada à publicação das pesquisas eleitorais do instituto, aparece apenas a mensagem “nenhuma pesquisa publicada ainda”. O instituto, que já prestou serviços para a Prefeitura de São Luís, chegou a apontar o ex-prefeito Eduardo Braide (PSD) como líder nas intenções de voto no Maranhão, superando a casa dos 50%.

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